sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Tudo para você escolher a melhor escola

Tem espaço para brincar? Alfabetizam a partir de que ano? Enfatiza os esportes ou as artes? Tem muita lição de casa? Como é a hora do lanche? Aborda questões sobre diversidade e respeito? Perguntas não faltam na hora de escolher a escola do seu filho. E elas são fundamentais para ajudar você nessa decisão tão importante para toda a família. Veja aqui o que você deve observar e, principalmente, o que é preciso pensar antes de ir a campo

Desde o momento em que descobre que será mãe, sua vida se torna uma sucessão de escolhas. Primeiro, o berço. Mais para frente, em qual maternidade será o parto, as músicas que irão tocar durante o grande momento, as lembrancinhas, o restante da decoração do quarto. Fora o nome! Mistura de prazer e muito trabalho. Porém, existe uma decisão que você terá que tomar da qual talvez tenha poucas informações e que não envolve só o gosto do casal: a escolha da escola.
Para fazer do jeito certo você terá que pesquisar muito, ir atrás de todos os dados possíveis, além de conversar com parentes e amigos e, sobretudo, ir a muitas escolas. Para ajudar você, CRESCER visitou diversas delas em São Paulo, da campeã do ranking do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), o famoso Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), à classificada como “alternativa” que preza as artes e o meio ambiente; da gigantesca com 64 mil m2, à pequena com 80 alunos. Prestamos atenção no tom e nas palavras usadas por cada educador, observamos as paredes com cores e desenhos feitos pelas crianças em murais, os tamanhos e as soluções encontradas em cada espaço e como são as relações entre professores, alunos e entre as próprias crianças.
Conversamos também com muitos pais. A angústia e o foco podem mudar, mas as dúvidas são comuns e os desejos, os mesmos: “Quero que meu filho seja feliz e se prepare para a vida”. Só que há muitos conceitos para embaralhar esse sonho. A começar pelos nomes das linhas pedagógicas: tradicional, construtivista, socioconstrutivista, montessoriana, Waldorf, democrática, alternativa etc. É preciso entender para escolher e conversar muito com quem for nos receber. Além de olhar, ouvir e sentir, claro. Por isso fizemos esta prévia do que você também terá que fazer para responder a pergunta: qual a escola ideal para o meu filho?
A família pode viver esse dilema uma vez só, quando a escola tem do berçário – ou da educação infantil – ao ensino médio. Ou em dois momentos, no mínimo, na hora de escolher a primeira e depois uma outra para a criança começar no fundamental, agora iniciando com os alunos aos 6 anos de idade. Ou, ainda, quando a escola cuidadosamente escolhida não deu certo. Porque, por mais atenção que você tenha, isso pode acontecer, sim. E basta um papo com pais ou especialistas para saber de uma coisa: não há escola perfeita. Até porque a vida é dinâmica – colégios mudam, crianças também. O que funciona em um momento pode não funcionar no outro. Ter consciência disso é básico nessa empreitada.
Saiba que educação é conversa de casal
O adulto que vai decidir essa relação da criança com o aprender precisa saber o que ele mesmo pensa sobre educação. “O casal tem que conversar sobre o assunto. E se houver alguma discordância, deve ser acertada antes de ir a campo”, diz a educadora Tânia Zagury, uma das maiores especialistas do Brasil, autora de Escola Sem Conflitos: Parceria com os Pais(Ed. Record). E não importa a condição. Se for um casal que mora junto, ou se os pais estiverem separados, o objetivo não pode se perder. “Também há o hábito, pelo passado histórico, de ser uma tarefa da mulher, mas a decisão tem que ser dos dois.”
Homens e mulheres têm sua história com educação e escola, referências que estão enraizadas mais do que imaginamos. “Este momento traz à tona lembranças e representações de anos e anos, e a atitude é ou buscar algo parecido ou totalmente oposto”, diz Maria José Nóbrega, assessora da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e de diversas escolas. Não dá, no entanto, para estabelecer uma relação de educação compensatória. Explico. Se sua família prezar a disciplina forte, não adianta procurar um sistema alternativo ou que deixe a criança mais livre. E, da mesma forma, se seu problema for impor limites, não é a escola rígida que vai dar conta disso. Escola nenhuma vai dar.
Entenda o papel dos pais e o da escola
Para que tudo corra bem, o importante é entender o papel da escola e o da família nessa, digamos, educação em conjunto. “Escola e família são instituições diferentes. A família é o núcleo individual e a escola, o público. Os desafios diários estão nesses exercícios de princípios diferentes na coletividade”, expõe Liamara Montagner, coordenadora da Educação Infantil do Colégio Santo Américo. Cada um, então, tem que fazer a sua parte e respeitar o espaço de cada um. “Não dá para chamar a família para resolver tudo. Seria a mesma coisa que um pai ligar para o professor cada vez que o filho não quer entrar no banho”, diz a soció-loga e consultora de educação, Lourdes Atié.
O que equilibra essa relação é a confiança. “A família precisa se sentir acolhida. Ela nunca vai encontrar uma escola que tenha todas as características adequadas para o filho dela. Mas tem que perceber que pode transformar, conversar, dizer o que aflige, poder perguntar sempre”, afirma Marcelo Cunha Bueno, colunista de educação da CRESCER e diretor pedagógico da escola Estilo de Aprender. A relação é tão delicada que há escolas com um cargo específico: gerente de relacionamento. Como na Escola Carandá, onde a função é ocupada por Adriana Enriques Ajej. “O diálogo aberto com os pais não tem o objetivo de a escola se ‘moldar’ à demanda, mas de deixar claro quais são os nossos princípios.”
“Queria continuar amamentando ao voltar ao trabalho, então optei por uma escola perto da empresa, que me deixasse amamentar na hora que quisesse. Poliana ficou lá até os 4 anos, quando a logística ficou complicada e escolhemos uma perto de casa e que tivesse até o ensino médio, para não precisarmos mudar novamente. A gente procurou uma que desse uma boa base para o vestibular. Acho que primeiro a formação tem que ser de 
caráter. Depois, é hora do conteúdo.” 

Eliezer Paes, analista de sistemas, mãe de Poliana, 4 anos, e Lorena, 4 meses
Dê importância para a criatividade
Você já sabe que a brincadeira é essencial. Afinal, ela é o ingrediente principal para desenvolver a imaginação e, portanto, a criatividade das crianças. Também é o meio mais eficaz para ela aprender a fazer conexões com o mundo e aprendizados. Mas para qualquer pai e mãe, por mais que se delicie com cada descoberta do filho, é inevitável pensar no que vai acontecer daqui a alguns anos. E essa escolha da escola exige um equilíbrio entre aposta e ansiedade, entre presente e futuro. Mas, responda, como será o futuro na sua opinião? Muitos arriscam palpitar. Sucesso terá quem domina a tecnologia. Mas, já não estamos todos envolvidos nela? Outra: sucesso terá quem souber muitos idiomas. E não há dezenas de pessoas aprendendo inglês ou outra língua pela internet? E ainda: Sucesso terá quem for supercriativo. Já não temos que usar nossa criatividade hoje para surpreender? “O problema de fazer uma aposta dessas é que não sabemos como será. Futurólogos no mundo todo, como o grande pensador francês Edgar Morin, dizem que não vai ser um papel ou um título que fará um sujeito ser mais preparado, mas a sua capacidade de fazer conexões”, diz Lourdes Atié.
Há uma história – daquelas que ninguém sabe se aconteceu mesmo – que circula há anos pela internet sobre um diálogo entre uma criança e uma professora. A criança tem 6 anos e está fazendo um desenho. A professora pergunta: “O que você está desenhando?” A menina responde: “Um retrato de Deus.” A professora argumenta: “Mas ninguém sabe como é Deus”. E ela diz: “Vão saber em um minuto”. O caso foi recontado em uma das palestras do inglês Ken Robinson, renomado professor de artes e conselheiro de governos sobre educação, na TED (Tecnologia, Entretenimento e Design), que são conferências com grandes pensadores sobre ideias que merecem ser disseminadas. Seu argumento naquela palestra era bater na tecla de como as escolas podem limitar a criatividade das crianças, por ignorarem, inclusive, os saberes delas. “Sou da opinião de que a criatividade é tão importante na educação quanto a alfabetização”, diz ele, que conta também um fato da infância da coreógrafa Gillian Lynne, uma das mais importantes do mundo, que montou espetáculos como Cats e O Fantasma da Ópera. Ela contou a ele que, na escola, nos anos 30, tinha dificuldade de aprendizagem e não conseguia se concentrar. Sua mãe procurou um especialista que ouviu todas as reclamações e pediu para a menina ficar em uma sala, sozinha, com o rádio ligado. Então, mostrou para a mãe o que acontecia: a menina dançava muito. E emendou: “Sua filha não é doente. Ela é dançarina”.
Não há saída: a nossa relação com o aprendizado precisa mudar. “Diz a neurociência que o sistema emocional não está desligado da cognição”, afirma Elvira Souza Lima, reconhecida pesquisadora brasileira das áreas de Educação, Mídia e Cultura, em seminário sobre infância, realizado pela TV Cultura e a Sesame Workshop, no final de maio. “Exploração e descoberta são o grande eixo do século 21. Quem brinca, quem se mexe, tem redes permanentes de aprender.”
“Meu maior erro foi escolher uma escola com conceitos muito diferentes dos que acredito. Pensei que o Tomás tinha que aprender a se comportar em ambientes diversos, que tudo bem se o nosso modo de vida é mais solto e a escola é mais rígida. Estava enganada e fiquei triste de perceber isso. Mudei de bairro e de escola. E vi mesmo que tinha errado muito. Hoje ele está superbem, numa classe menor, mais tranquilo. Parece até que eu mudei de filho.” 

Beatriz Reis, 34 anos, jornalista.
Mãe de Tomás, 7, e Bernardo, 3
Descubra o que cada uma oferece
Ken Robinson critica veementemente a obsessão por colocar as crianças em escolas que pensam apenas nas universidades. Principalmente porque hoje, entrar em uma não garante nem emprego, quanto mais felicidade e sucesso. Muitos pais, porém, não concordam com isso e a cada resultado do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), divulgado pelo Ministério da Educação, saem em busca das escolas com melhores notas. Não entenderam que o exame é uma avaliação específica, que leva em conta critérios muito pontuais, e não um ranking de bons colégios. Até porque, boa escola para um pode não ser boa escola para outro.
“Alguns pais vêm, sim, por causa do Enem. Mas deixamos claro que se for esse o único critério então está tudo errado. É uma avaliação de alunos, ao final de um ciclo básico, para medir aquelas competências e habilidades”, diz Adilson Garcia, diretor do Colégio Vértice, que está em primeiro lugar na lista divulgada ano passado das 50 melhores escolas do Brasil, e que ganhou notoriedade após anos ser considerada apenas uma boa escola de bairro. “O mais grave são as escolas ficarem cada vez mais puxando o conteúdo formal que não vai necessariamente fazer o aluno passar no vestibular”, afirma Renata Americano, coordenadora geral do Ensino Fundamental 1 da Escola Viva, que há décadas é conhecida como um colégio que valoriza as artes como ponte para o aprendizado.
Veja como é a comunidade escolar
Seja mais, ou menos, conteudista. Ao buscar uma escola é preciso levar em conta também o que está nos arredores. Quando se escolhe um colégio, se escolhe também uma comunidade a se pertencer. Os amigos, os pais dos amigos e até os gastos – viagens, festas, presentes – vão fazer parte da vida da sua família. É um pacotão mesmo. Podem surgir problemas de alto consumismo entre as crianças, cobranças, comparações.
Diferenças nas condutas de educação, mas também muito aprendizado – entre os pais, inclusive – com a diversidade de ideias e ideais. Dessa comunidade, pode vir também aquela turma de amizade tão duradoura que acaba agregando até os pais e irmãos dos colegas. “Temos que assumir o clichê ‘a escola é a segunda casa da criança’, porque deve ser mesmo. Precisa, sobretudo, ter a ver com a sua família”, alerta Lourdes Atié.
Bem, agora que você já leu e refletiu sobre tudo isso, é hora de partir para as questões, digamos, mais práticas. Saiba nas próximas páginas o que observar quando for conhecer uma escola.
http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI244220-10448-4,00-TUDO%20PARA%20VOCE%20ESCOLHER%20A%20MELHOR%20ESCOLA.html
Fonte: 

5 comentários:

Viviane Alves disse...

Oi linda, vc me fez uma pergunta para participar da promoção Sanremo.
Respondendo : Para participar de qualquer sorteio dos meus blogs, vc precisa seguir só um deles. Ou seja, nesse caso só o de receitas ok.
Agora se quiser participar dos outros sorteios, siga os 2 e fique a vontade, participe de todos. Quem sabe vc é a grande sortuda da vez hehehe.
Bjs e ótimo dia
Vivi
www.viviass.blogspot.com
www.meublogdereceitasfavoritas.blogspot.com

Uma parte de mim disse...

vê esse blog acho q vai gostar!
http://depadoan.blogspot.com/

Uma parte de mim disse...

tem dia 20 de julho o chá de bebe uma idéias legais, olha lá!

Clube das mães e pais Blogueiros disse...

Oi Marthinha, mt fofo seu blog, parabéns, bem informativo.

Queria convida-la para conhecer o Clube das mães e pais blogueiros (http://maesepaisblogueiros.com) com lançamento oficial previsto para o dia 1 de setembro, é uma rede social voltada exclusivamente para mães e pais (ou maes/pais-to be) que possuem um blog e/ou uma conta no twitter. Nosso objetivo é potencializar os blogs deste segmento na Rede através de açoes em conjunto. Aparece por la, um abraço!
Daniela

Milamerlini disse...

Adorei as dicas, tb sou professora, pedagoga e especialista em educação infantil.! Boa semana pra vc e beijos!!!